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Atividades extracurriculares agitam o início do semestre na
Faculdade de Economia

Mal o semestre começou e os alunos e professores dos cursos de Economia e Relações Internacionais tiveram oportunidade de participar de uma série de atividades extracurriculares que, juntamente com a Missão Acadêmica Caminho de Abraão e a Semana de Relações Internacionais (que foram objeto de matérias específicas neste e no número anterior desta revista), deram um sabor especial ao começo do período letivo.

Aulas inaugurais

Tanto os alunos do período matutino como os do período noturno tiveram uma aula inaugural sobre temas de enorme interesse e atualidade.

Os alunos da manhã tiveram uma palestra intitulada O Brasil e a reconstrução do Haiti, ministrada pelo professor Georges Landau, com comentários do embaixador Rubens Ricupero, diretor da Faculdade.

Com vasta experiência acumulada em mais de três décadas trabalhando em organismos internacionais, Landau – que viveu no Haiti de 1989 a 1991, a serviço do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) – deu um depoimento contundente sobre o país, com dados e informações que deixaram boa parte dos presentes fortemente abalados.

Segundo Landau, o Haiti não é um país caribenho, é um país da África subsaariana que circunstancialmente está situado no mar do Caribe. Com o conhecimento que só quem viveu a realidade de perto possui, Landau dividiu sua apresentação em duas partes. Na primeira, fez uma rápida viagem pela história do país, enfatizando as principais características de seu passado colonial. Na segunda, abordou temas da atualidade, com destaque para os terríveis efeitos do terremoto que assolou o país no inicio deste ano.

Ao examinar a evolução histórica do Haiti, Landau explicou que o país foi colonizado pela França que, além de explorar recursos naturais, abusou muito dos escravos. A ponto deles se cansarem dos maus tratos e, em 1791, iniciarem a primeira revolta desse povo que deu certo. Dez anos depois, declarou independência, consolidada em 1804. Na época, só os Estados Unidos eram independentes nas Américas. O Haiti, que já era pobre, ficou ainda mais pobre quando, em 1862, a França exigiu indenização gigantesca por conta do massacre de franceses ocorrido durante a revolta dos escravos. A dívida foi paga somente em 1947.

A seguir, Landau destacou o período de instabilidade que marcou o país em toda a segunda metade do século XX. Um dos principais dirigentes do Haiti foi o ditador François Duvalier, mais conhecido como Papa Doc. Em 1957, ele instaurou um governo violento, que oprimia a população por meio de um tipo de polícia particular, os tontons macoutes (que pode ser traduzido como bichos-papões).

Em 1971, com a morte de Papa Doc, o comando passou para seu filho Jean-Claude Duvalier, logo apelidado de Baby Doc. O povo se revoltou com os abusos e, em 1986, o presidente teve de fugir para a França, limpando os cofres da nação. Desde então, o país sofre instabilidade política.

Ao analisar o período mais recente, Landau fez especial menção ao drama ambiental. Florestas foram devastadas para abastecer os fogões à lenha, até hoje utilizados em razão de crenças religiosas. Por isso, o solo está tomado pela erosão e a maior parte das nascentes dos rios já secou; o mesmo ocorre com os lençóis freáticos. Além disso, a única fonte de energia do país é o sol. No entanto, não há dinheiro para investir em produção de energia solar.

A conclusão da palestra de Landau não deixa dúvida quanto à dramaticidade da situação: “O Haiti não precisa ser reconstruído. O que ele precisa, na verdade, é ser construído. E a partir do zero. O Brasil, desde que não se perca em picuinhas quanto a seu papel nesse processo, pode ser de relevante importância nesse hercúleo esforço que será necessário no país”.

O embaixador Ricupero, por sua vez, realçou o fato de que dos 34 países do continente americano, o Haiti é o único que faz parte do grupo dos países menos desenvolvidos do mundo (least developed countries), conceito que surgiu na UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), sendo posteriormente aprovado pela Assembleia Geral da ONU. Os outros integrantes desse grupo, que tem sido objeto de atenções especiais da UNCTAD e de outros organismos das Nações Unidas, são todos países da África e da Ásia, entre os quais Sudão, Bangladesh, Afeganistão e outros.

Os estudantes do período noturno tiveram, como tema de sua aula inaugural, China: o (re)despertar do dragão, ministrada pelo professor Luiz Alberto Machado, vice-diretor da Faculdade de Economia.

Com base em informações colhidas durante a Missão Estudantil da FAAP realizada em julho de 2009 e em diversos livros sobre o país, em especial os dois da jornalista Claudia Trevisan, que pela segunda vez trabalha como correspondente na China, Machado iniciou sua palestra mencionando os cinco períodos em que se pode dividir a história chinesa:

  • Período Pré-Dinástico – até 2200 a.C., época do surgimento da primeira dinastia, a Xia, envolta em lendas
  • Período Dinástico – de 2200 a.C. até 1911 d.C., ano em que a dinastia Qing cedeu lugar à República
  • Transição – de 1912 – 1949
  • Comunista – de 1º de outubro de 1949 até 1978
  • Socialismo de Mercado – de 1979 em diante

Em seguida, com o rótulo sob o signo da transitoriedade, destacou a rapidez com que as mudanças estão ocorrendo no país, notadamente nos últimos trinta anos. De acordo com Claudia Trevisan: “Na China, tudo tem a medida de seu 1,3 bilhão de habitantes, a maior população do mundo, equivalente a um quinto das pessoas que cobrem o planeta. Quando essa massa humana se move, os tremores que provoca se propagam a milhares de quilômetros de distância. E ela nunca se movimentou tanto quanto nos últimos 30 anos, período no qual liderou o ranking do crescimento global, multiplicou por quatro o tamanho da sua economia, tirou milhões de pessoas da pobreza e promoveu o mais intenso processo de urbanização já visto na História. Mudanças que países desenvolvidos demoraram cem anos [ou mais] para experimentar, a China viveu em um quarto de século. A mesma geração que demonizou o Ocidente, a burguesia e o capitalismo durante a Revolução Cultural abraçou com fervor a economia de mercado e o consumo, depois que o Partido Comunista decidiu iniciar reformas e se abrir ao exterior, em dezembro de 1978”.

Dando prosseguimento à exposição, Machado fez referência ao extraordinário desempenho recente da economia chinesa, cujo crescimento econômico anual médio de 1979 a 2008 foi de 9,8%. Embora esse ritmo tenha sofrido um impacto em 2009 graças à forte crise financeira mundial, tudo indica que a marca dos 10% ao ano volte a ser atingida já em 2010.

O passo seguinte foi no sentido de explicar a cultura dos negócios predominante na China, com ênfase nos quatro fatores essenciais para lá obter sucesso: 1) gente bem preparada; 2) “guanxi” (relacionamento); 3) “mianzi” (prestígio ou face); e 4) competitividade.

Sobre o primeiro, Machado fez questão de desmistificar a ideia – amplamente disseminada – de que o sucesso das empresas localizadas na China se deve à mão-de-obra barata. De acordo com vários executivos de empresas brasileiras visitadas pela missão, como a Embraco, a Embraer, a WEG, a Vale e a Voith Hydro, essa imagem que se tem da China vai se tornando cada vez mais coisa do passado, especialmente nos setores de capital intensivo, que produzem bens de elevado valor agregado e que utilizam tecnologia sofisticada. Nesse segmento, a mão-de-obra apresenta um crescente grau de qualificação e o nível de remuneração pode não ser comparável ainda ao verificado nos países desenvolvidos da América do Norte e da Europa, mas já é equivalente ao observado na América Latina, na Ásia e em diversos países da Europa Central.

Sobre os dois fatores seguintes, Machado valeu-se das explicações fornecidas pela jornalista Cláudia Trevisan no recém lançado livro Os chineses: “Guanxi e mianzi são duas das expressões tipicamente chinesas que o forasteiro aprende logo que chega ao país. A primeira se refere à rede de relacionamentos essencial para o sucesso de quase tudo na China: dos negócios à compra de ingressos para os Jogos Olímpicos. O guanxi é um patrimônio intangível de uma pessoa e, quando mais poderoso e abrangente ele for, maior será o seu grau de influência. O bom guanxi é construído de maneira paciente, por meio de encontros sociais, normalmente regados a generosas doses de baijiu, a cachaça chinesa, e a troca de presentes, outra instituição milenar na China. O acordo implícito nesses relacionamentos é a interdependência e a troca de favores. Se obtiver ajuda de alguém da minha rede de influência, tenho que estar preparada para retribuir no futuro, e vice-versa”.

Outra ideia amplamente disseminada pelo mundo todo diz respeito ao enorme grau de corrupção que envolve a realização de negócios na China. Embora não exista consenso a esse respeito, muitos analistas creditam à prática generalizada do guanxi boa parte dessa corrupção. Sobre isso, assim se expressa Cláudia Trevisan: “A linha que separa o culto ao guanxi da corrupção é bastante tênue e muitas empresas realizam favores aos poderosos chineses na esperança de receber em retribuição contratos milionários. A devoção à rede de relacionamentos também faz com que os negócios na China tenham um caráter mais pessoal e menos institucional que no Ocidente. É comum os chineses se queixarem junto a empresas estrangeiras quando um funcionário que faz parte de seu guanxi é substituído por outro, com o qual terá de construir um novo vínculo a partir do zero”.

Já o terceiro fator – mianzi – cuja tradução para o português não é tão simples quanto à de guanxi, é assim explicado pela jornalista: “A noção de “face” (mianzi) tem a ver com o prestígio e o respeito conquistado perante os demais. E “perder a face” (mei mianzi) é uma das piores coisas que pode acontecer a um chinês, já que afeta sua posição social e seu poder de influência dentro de sua rede de relacionamentos. Quem tem a intenção de estabelecer um vínculo de confiança com um chinês deve ter o cuidado de jamais colocá-lo em uma situação constrangedora em público, seja apontando erros ou enfatizando fraquezas”.

O quarto fator refere-se à acirrada competitividade existente na China, que exige de quem quiser se habilitar a lá se instalar uma altíssima produtividade, muita disposição para trabalhar e um intenso esforço para conhecer e se adaptar às condições prevalecentes no país.

Depois de abordar alguns dos principais obstáculos e contradições que o país enfrenta, e que chegam a tirar o sono das autoridades chinesas, o professor Machado concluiu sua exposição chamando atenção para o extraordinário esforço que os chineses fizeram nos campos da infraestrutura e logística, permitindo que o país usufrua hoje de rodovias, portos e aeroportos de excelente qualidade.

Ao final de sua fala, o professor Machado apresentou aos alunos da Faculdade de Economia a professora Shan Shan Fei, que depois de estudar português na FAAP por dois anos, foi convidada a permanecer aqui para ministrar curso de mandarim no centro criado pela Fundação para esse fim, chamado FAAP Global Connection. Com enorme simpatia e falando um excelente português para quem aprendeu o idioma há tão pouco tempo, ela fez o convite aos estudantes presentes para estudarem mandarim, idioma cuja importância cresce no mundo proporcionalmente ao aumento da importância da China na economia mundial.

Lançamento

Em agosto de 2009, o embaixador Rubens Ricupero e o professor Luiz Alberto Machado assessoraram o diretor da Fundação Liberdade e Cidadania, Paulo Gouvêa da Costa, na organização de um seminário sobre a política externa brasileira.

Realizado no auditório do Hotel Renaissance com apoio da Associação Comercial de São Paulo, o evento reuniu mais de seiscentos ouvintes, que puderam acompanhar os depoimentos dos embaixadores Rubens Ricupero, Luiz Felipe Lampreia, Marcos Azambuja, Sergio Amaral e Sebastião do Rego Barros, além do jornalista Antonio Carlos Pereira, com a moderação do professor Salvador Raza.

Os textos preparados para o referido seminário foram reunidos no livro A Política Externa do Brasil: Presente e Futuro, lançado na FAAP, dia 1º de março de 2010, com a presença de alunos e professores dos cursos de Relações Internacionais e Economia.

No livro, além dos textos dos seis participantes do seminário, há também um de autoria do embaixador Roberto Abdenur que, convidado a participar, acabou não podendo comparecer por problemas de agenda.

Com apresentação do professor Rubens Figueiredo, o livro tem o seguinte conteúdo:

  1. As linhas mestras da atual política externa do Brasil – Rubens Ricupero
  2. Tempo de incerteza para a OMC – Luiz Felipe Lampreia
  3. O Clube dos BRIC, onde tamanho é documento – Marcos Azambuja
  4. Brasil: três relacionamentos estratégicos – China, Alemanha e EUA – Roberto Abdenur
  5. Cooperação energética nas Américas – Sebastião do Rego Barros
  6. A crise do MERCOSUL – Sérgio Amaral
  7. A política externa do Brasil: diagnóstico e perspectivas – Antonio Carlos Pereira.

 

Embora seja praticamente impossível sintetizar um conjunto tão rico e abrangente de depoimentos a poucas conclusões, duas chamam a atenção por estarem presentes nas reflexões de vários dos depoentes.

A primeira diz respeito à excessiva partidarização e ideologização da política externa praticada nesses mais de sete anos do governo do presidente Lula; a segunda, ao caráter personalista da mesma.

Quanto à primeira, afirmam os deputados Rodrigo Maia e José Carlos Aleluia: “Ao longo de quase oito anos à frente do Itamaraty, o PT escolheu o caminho de apoiar governos com os quais se identifica ideologicamente, deixando de lado o profissionalismo e a isenção que sempre marcaram a diplomacia brasileira. O Barão do Rio Branco dizia que ‘em toda parte lembro-me da Pátria’. A diplomacia petista subverteu esta máxima, trocando-a por ‘em todo lugar me lembro do partido’. Uma atitude que fica claríssima quando o governo brasileiro decide interferir nas eleições da Bolívia e do Paraguai, nas concessões feitas ao Equador e à Venezuela, quando faz uso do BNDES para financiar governos companheiros e resolve, contrariando uma das linhas mestras da política externa brasileira, interferir em assuntos internos da República de Honduras”.

Quanto à segunda, assinala o cientista político Rubens Figueiredo: “O governo Lula se mexe tanto, em tantas áreas, em tantas direções, produz tantas versões, modifica tantas explicações, que é difícil compreendê-lo. Falamos em política externa na era Lula e nos vêm à mente questões como as viagens presidenciais à África, a amizade com Sarkozy, a ajuda ao Haiti, o alinhamento com a Venezuela, a questão da embaixada de Honduras, invasão de empresas brasileiras na Bolívia e Equador, o Brasil falando grosso nas reuniões internacionais. Mas o que está por trás de tudo isso? O embaixador Rubens Ricupero coloca as coisas nos seus devidos lugares. Fogos de artifício e performances acrobáticas à parte, o que se faz? Busca-se uma vaga para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, investe-se nas negociações de Doha e tenta-se estabelecer uma liderança (integração, interdependência, vassalagem ou o que seja) na América do Sul. Essa agenda não é nova, mas o estilo é. A política externa do governo é personalística e é mais uma política de partido do que de interesse nacional. E Lula faz sucesso nas rodinhas internacionais, ele é ‘the guy’. E daí? Para saber os resultados, basta abrir este livro e ser brindado por uma agradável e enriquecedora leitura. Ao final, fica a impressão de que a distância percorrida foi bem menor que a movimentação”.

O Peru na América Latina
 
No dia 16 de março, quase que dando prosseguimento à Semana de Estudos de Relações Internacionais e Economia, a FAAP teve também o privilégio de receber José Antonio García Belaúnde, ministro das Relações Exteriores do Peru. Balaúnde, que dividiu a mesa com o embaixador Rubens Ricupero, diretor da Faculdade de Economia, e Américo Fialdini Jr., diretor financeiro da Fundação Armando Alvares Penteado, retomou, em sua exposição, a temática da América Latina e realçou o flagrante desenvolvimento peruano, ao mesmo tempo em que buscou oferecer uma perspectiva aprofundada quanto à questão da integração regional.

Belaúnde é considerado um dos diplomatas mais proeminentes do continente americano, na mesma medida em que se destaca por sua produção intelectual. Além disso, ocupa um cargo do governo justamente no momento em que seu país vive uma fase singular de desenvolvimento.

A economia peruana logrou, nos últimos anos, taxas de crescimento impressionantes e sua diplomacia foi definida por Ricupero como uma das mais estáveis e brilhantes de que se tiveram notícias, uma escola de estadistas de larga tradição, capaz, inclusive, de ter elegido um secretário geral junto as Nações Unidas (em referência a Javier Pérez de Cuellar, que ocupou o cargo em meados dos anos 80).

Após ter enfrentado períodos difíceis, pela primeira vez em sua história, o país não deixou de crescer em nenhum dos últimos nove anos, mantendo índices sustentáveis e longe de oscilações. Consequentemente, em sincronia com o processo econômico de desenvolvimento, o Peru vê-se distante das crises que anteriormente alimentaram transições políticas e que, deste modo, chegaram a levar militares ao poder.

Nestes quase dez anos, as reservas peruanas multiplicaram-se bem como suas exportações, enquanto o investimento per capita triplicou. Mesmo diante dos reflexos da crise internacional, o Peru conseguiu apresentar crescimento positivo em 2009 – cerca de 1% – e, em termos práticos, Belaúnde destacou que esta combinação de políticas econômicas e fiscais sãs teria impactado a vida das pessoas na medida em que se estaria reduzindo a pobreza de 46 para cerca de 30% ainda na legislatura do atual presidente Alan García Pérez.

Outro ponto de destaque apontado pelo ministro se deu no sentido de evidenciar a grande política de abertura comercial e a diversificação econômica promovida no país recentemente, que passou a priorizar relações mais audaciosas.

Além dos tradicionais acordos mantidos com a Comunidade Andina, a ALADI e o MERCOSUL, o Peru tem investido em parcerias com a China e a União Europeia, além de ter reunido esforços na tentativa de organizar uma área de livre comércio com os Estados Unidos. Neste último caso, avivou o sucesso obtido por seu país mesmo diante da transição do Congresso norte-americano, que passou a contar com maioria democrata e, assim, adotar novas exigências em termos trabalhistas e ambientais.

Segundo Belaúnde, a abertura comercial teria como vantagens, em primeiro lugar, a possibilidade de abarcamento de novos mercados, seguida da grande estabilidade capaz de conferir segurança ao empresariado e, neste sentido, atrair novos investidores estrangeiros potenciais, além de promover a maior competitividade do país no cenário internacional.

Com relação ao tema da integração regional, ele pautou seu discurso no sentido de considerar os compromissos latino-americanos a partir daquilo que chamou de ‘consciência histórica coletiva’.

De acordo com o ministro, o problema do continente reside no fato de – em face dos processos de independência alcançados tardiamente e da formação de republicas precárias – termos focado nosso processo de integração em elementos secundários em detrimento da tentativa de angariar esforços para organizar um foro capaz de processar nossas diferenças na região.

Para Balaúnde, a unidade da América Latina limitou-se a um saúdo a bandeira, a uma retórica inflamada e a discursos políticos, mas que isolaram a ação prática. Assim, as deficiências da integração teriam começado com a supervalorização da questão da defesa contra as possíveis ameaças externas e passado, em seguida, para a constante tentativa de basear-se no modelo europeu.

Neste aspecto, a seu ver, estaríamos desconsiderando o processo histórico-cultural dos europeus e nos esquecendo de características que lhes são peculiares. Em primeiro lugar, porque eles chegaram à integração pela via negativa da guerra e, em seguida, porque a Europa do tratado de Roma, a Europa dos ‘seis’, já mantinha laços estreitos há tempos, interagindo antes mesmo de sua institucionalização.

Ao contrário, os latino-americanos jamais buscaram consolidar um órgão de solução de controvérsias eficiente e, assim, a constante regional da América Latina é a permanente ausência de instituições hábeis para lidar com as divergências entre os países.

Como fruto desta interpretação equivocada quanto a vocação da América Latina, Balaúnde mencionou as dificuldades da Comunidade Andina, da ALADI, do Mercosul e da UNASUL e sugeriu que talvez se devesse optar por programas mais realistas.

O ministro continuou sua crítica apontando que a problemática da integração do continente se dá também na medida em que buscamos empreender grandes passos, sem antes termos consolidado etapas basilares. Neste sentido, ele propôs que o plano de ação latino-americano deveria seguir basicamente três passos.

Em primeiro lugar, caberia aos países definir suas prioridades e desejos, incitando inclusive a questão do envolvimento norte-americano na região; em segundo, apontou para a necessidade de haver valores compartidos, em clara referência ao principio democrático; e por fim, mencionou a necessidade de sermos capazes de respeitar nossas próprias identidades.

Para ele, na ausência destes elementos e de uma massa verdadeiramente crítica não há como desenvolver um processo de integração sustentável e eficiente. Além disso, ficou claro que – embora reconheça a importância da integração comercial – o peruano não a considera como primordial. De acordo com Balaúnde, a interconexão que vem sido desenvolvida entre Brasil e Peru, por exemplo, constitui uma forma de integração consideravelmente mais profunda.

O ministro voltou a enfatizar que não há como superar desigualdades da América Latina sem o estabelecimento de um fórum de liderança e, neste aspecto, apontou para a necessidade de se cooperar com pragmatismo especialmente nas questões ligadas ao meio-ambiente, ao desenvolvimento de fronteiras e a infra-estrutura.

Em uma apresentação que correspondeu a uma verdadeira aula de senso de medida, realismo e pragmatismo, Balaúnde foi ainda mais emblemático e concluiu sugerindo que consideraria viável excluir a liberalização comercial da pauta das negociações caso ela fosse identificada como o real vetor de impasse para o processo de integração. Ademais, versou a respeito da importância da tradição, de modo que a América Latina não deveria ser orientada, segundo ele, por aqueles que considera ‘novidadeiros’.

 


Figura 1- Professor Georges Landau em sua palestra sobre a dura realidade do Haiti.


Figura 2 – Embaixador Rubens Ricupero, diretor da Faculdade de Economia, tecendo comentários à palestra do professor Georges Landau.


Figura 3 – Professor Luiz Alberto Machado, vice-diretor da Faculdade de Economia, falando sobre a China na aula inaugural para os alunos do período noturno.


Figura 4 – Dois livros muito esclarecedores para quem quiser conhecer um pouco da incrível história da China, de autoria da jornalista
Claudia Trevisan.


Figura 5 – O livro A Política Externa do Brasil, lançado na FAAP.


Figura 6 – Deputado José Carlos Aleluia, presidente da Fundação Liberdade e Cidadania, falando sobre a importância do livro.


Figura 7 – Flagrante do depoimento do embaixador Marcos Azambuja.


Figura 8 – Embaixador Sebastião do Rêgo Barros.


Figura 9 – Embaixador Sergio Amaral, diretor do Centro de Estudos Americanos da FAAP, falando sobre seu texto do livro A Política Externa do Brasil.


Figura 10 – Jornalista Antonio Carlos Pereira, embaixador Sebastião do Rêgo Barros, embaixador Marcos Azambuja, deputado José Carlos Aleluia e embaixador
Sergio Amaral.


Figura 11 – Jornalista Antonio Carlos Pereira autografando o exemplar do livro A Política Externa do Brasil, para o aluno Humberto Cimino, calouro do curso de Relações Internacionais da FAAP.


Figura 12 – Americo Fialdini Jr., diretor tesoureiro da FAAP, fazendo a apresentação do ministro José Antonio Garcia Belaúnde, tendo à sua direita o diretor da Faculdade de Economia, embaixador Rubens Ricupero.


Figura 13 – O ministro de Relações Exteriores do Peru, José Antonio García Belaúnde, falando sobre o bom momento econômico vivido por seu país.