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Professores da FAAP têm atuação destacada no X Fórum Internacional de Inovação e Criatividade

 “Criatividade é inventar, experimentar,
correr riscos e se divertir”
Mary Lou Cook

Sob o título geral de Potencializando seus talentos: seja uma usina de ideias, foi realizado em Aracaju, de 18 a 20 de novembro de 2010, o X Fórum Internacional de Inovação e Criatividade, promovido pela Fundação Brasil Criativo (www.fbcriativo.org.br).

A chamada para o evento, composto de palestras magnas, paineis, cases, workshops e núcleos temáticos, foi a seguinte: Criatividade, inovação e desenvolvimento sustentável: a solução para os problemas atuais.

Efetivamente, de acordo com a Fundação Brasil Criativo, promotora do evento, “só enxergando o mundo através da criatividade poderemos encontrar soluções ainda não pensadas para os atuais e graves problemas da humanidade, desde os mais simples aos mais complexos. É isso que o X Fórum Internacional de Inovação e Criatividade se propôs: ensinar como utilizar a criatividade para potencializar os talentos em busca de alternativas para um desenvolvimento sustentável. Para alcançarmos o 7º dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – Qualidade de Vida e Respeito ao Meio Ambiente – precisamos de ideias inovadoras e transformá-las, logo, em ações positivas”.

O evento contou com a participação de expositores dos Estados Unidos, de Portugal e de diversas partes do Brasil, entre os quais Luciano Pires, que fez a palestra SustentHabilidade, na abertura do Fórum, o prefeito Edvaldo Nogueira, que falou sobre o Projeto “Aracaju, Capital Brasileira da Criatividade e da Qualidade de Vida”, e os professores da FAAP Cláudio Queiroz, Fátima Jinnyat, Luiz Alberto Machado e Sumara Regina Ancona Lopes, esta última recém chegada de mais uma bem sucedida série de cursos no Equador.
 
Participações de expositores estrangeiros
 
Entre os expositores estrangeiros do evento, merecem destaque Min Basadur, Jo Yudess, Fernando Sousa e Catarina Selada, os dois primeiros relacionados à Creative Education Foundation, entidade sediada em Buffalo, no estado de Nova York, responsável pela organização de um dos mais famosos encontros internacionais ligados ao tema, o CPSI – Creative Problem Solving Institute.

Min Basadur, consultor canadense que divide seu tempo entre Toronto e Connecticut, desenvolveu uma metodologia de solução criativa de problemas a partir da experiência desenvolvida na assessoria da Procter and Gamble (P&G), uma das mais conhecidas empresas norte-americanas que passou por momentos de grande turbulência na década de 1970.

Contratado num momento em que a P&G enfrentava sérias dificuldades, decorrentes de um conjunto de fatores tais como ausência de novos produtos, crise do petróleo, economia estagnada, receitas achatadas e aquisições bloqueadas, Min Basadur desenvolveu um trabalho que foi muito bem avaliado e considerado em grande parte responsável pela recuperação da empresa, que retornou à condição de uma das líderes dos mercados em que atua.

Chamado de Simplex, a metodologia faz uso do modelo de solução criativa de problemas consagrado pela Creative Education Foundation e que combina, em suas diversas etapas, os pensamentos divergente e convergente. O principal objetivo do trabalho era transformar a P&G numa organização criativa, que se caracteriza pelo tripé flexibilidade, eficiência e proatividade.

No X Fórum Internacional de Inovação e Criatividade, Min Basadur conduziu um workshop sobre Inovação nos pequenos negócios e ministrou a palestra magna Como fazer da inovação um modo de vida utilizando as habilidades do pensamento criativo de cada pessoa.

Viagem à criatividade


Sumara Regina Ancona Lopes
e Min Basadur

Min Basadur é professor de Inovação da Escola de Administração da Universidade de McMaster e fundador da empresa de consultoria Basadur Applied Creativity. Basadur tem anos de experiência na área da criatividade aplicada em organizações renomadas, incluindo Procter & Gamble, PepsiCo, Goodrich e Pfizer. A criatividade aplicada combina a imaginação e o pensamento analítico e é a base da inovação, chave para as empresas ganharem e manterem a competitividade.

No apêndice de seu livro Viaje a la Creatividad, Min basadur relata que levou duas décadas para escrevê-lo, enquanto que, normalmente, um seminário de formação experimental sobre o assunto tem a duração aproximada de oito dias. Em seu rico e longo relato, Basadur nos conta como chegou ao SIMPLEX, o método para solução criativa de problemas por ele criado, após haver participado de algumas edições do CPSI – Creative Problem Solving Institute (evento sobre criatividade então realizado em Buffalo – NY).

À medida que ajudava as pessoas das empresas onde trabalhava a utilizar seu processo, parecia-lhe que a palavra chave era simplicidade e que simplificar as coisas e manter uma mente aberta eram fundamentais no processo criativo. Em suas palavras, “o segredo era pensar como se fosse um menino”. Nascia o SIMPLEX.

Alguns pressupostos para entender o SIMPLEX, um processo em oito etapas que serve para responder a perguntas como, por exemplo: Como podemos...?

1. Para serem eficazes, as organizações devem primar pela eficiência, adaptabilidade e flexibilidade, simultaneamente. Para tanto, buscam continuamente melhorar suas rotinas; não esperam a mudança acontecer para agirem; estão sempre antecipando problemas e buscando novas tecnologias e novas oportunidades.

2. Para conduzir um processo de mudança numa empresa você precisa:
* Começar estabelecendo suas prioridades
* Envolver as melhores pessoas no projeto
* Ter um processo para lidar com a mudança
* Avaliar o que aconteceu
* Ensinarem-se uns aos outros como fazer melhor tudo isso
* Lembrar-se de que mudanças permanentes levam tempo!

3. O processo SIMPLEX de solução de problemas é circular e composto de oito passos, que abrangem três fases (a formulação do problema; a formulação da situação; e a implementação da solução).

4. Os quadrantes do inventário de resolução criativa de problemas referem-se tanto aos quatro estágios do processo – gerar, conceituar, otimizar e implementar –, quanto aos quatro diferentes estilos – gerador, conceituador, otimizador e implementador.

5. Muita gente acredita que o processo de resolução de problemas termina ao se encontrar uma solução. Na verdade, termina somente após tal solução ter sido implantada e ter provocado mudanças valiosas nos procedimentos ou ter se obtido um novo produto.

Algumas razões pelas quais as equipes não são mais criativas na resolução de problemas, segundo Min Basadur:

* Desconhecimento do estilo de resolver problemas dos demais integrantes
* Ausência de um processo comum (sintonia de pensamento)
* Impaciência
* Foco excessivo na solução
* Falta de ferramentas
* Mistura de habilidades de pensamento

O Método Simplex

 

Sumara Regina Ancona Lopes
Professora de Criatividade
da FAAP Pós-Graduação

Jo Yudess, por sua vez, conduziu um workshop sobre Competência do pensamento para líderes, participou do painel sobre Inovação no mundo, e ministrou a palestra magna Atitudes necessárias para o crescimento organizacional. Em todas as suas participações, Jo Yudess se utilizou de farto referencial teórico e de importantes pesquisas realizadas recentemente pela IBM e pela Accenture, nas quais foram identificadas as empresas e os líderes mais criativos do mundo. A partir dos resultados dessas pesquisas, Jo Yudess fez um minucioso exame dos fatores e das atitudes presentes ou ausentes nas organizações, que acabam tendo impacto fundamental para o seu crescimento.

Difícil destacar alguma coisa em particular das três intervenções de Jo Yudess, integralmente valiosas e relevantes. Contudo, duas observações feitas por ela merecem realce:

1ª) Quando as pessoas não separam as etapas de divergir e convergir, assassinam a criatividade e a inovação.

2ª) É fundamental não transformar uma sessão de brainstorming (tempestade de ideias) numa sessão de blamestorming (tempestade de culpas).

A exemplo do que ocorreu com Min Basadur, também ficou evidente nas participações de Jo Yudess porque ela é considerada um dos expoentes do movimento da criatividade, tendo entre seus principais clientes a General Motors e a Motorola.

Fernando Sousa, que é um dos principais organizadores da 12ª Conferência Europeia de Criatividade e Inovação (ECCIXII), que será realizado na Universidade do Algarve, em Faro, Portugal, de 14 a 17 de setembro de 2011, conduziu um workshop sobre o tema Problemação: um método para gerar resultados, e no núcleo temático sobre educação, liderou uma oficina sobre Educação e desenvolvimento sustentável.

A professora Catarina Selada participou do painel Cidades Criativas, Inovadoras e Sustentáveis, que teve também as presenças de Edvaldo Nogueira, prefeito de Aracaju, e Fernando Viana, presidente da Fundação Brasil Criativo. Em sua rápida, porém objetiva e brilhante exposição sobre Clusters criativos, Catarina Selada mencionou três exemplos de cidades de dimensões bastante diferentes que se constituem em exemplos bem sucedidos em Portugal: Paredes, com design imobiliário; Óbidos, com gastronomia; e Guimarães, como centro de arte, tecnologia e inovação.

Participações dos professores da FAAP

Fátima Jinnyat, professora de Criatividade da Faculdade de Economia da FAAP foi responsável pela condução do workshop A força dos modelos mentais: saindo do modelo mecanicista para um modelo humanista. Aliando ao sólido conhecimento do tema, a bagagem adquirida em sua atuação combinada de consultora e professora, Fátima Jinnyat conseguiu envolver os participantes do workshop, alternando a exposição de aspectos teóricos a uma ampla participação de todos em atividades interativas individuais e em grupo.

O professor Luiz Alberto Machado, vice-diretor da Faculdade de Economia, apresentou a palestra Das quadras para a vida: lições do esporte para as relações pessoais e profissionais. A palestra, baseada num artigo escrito em parceria com o professor , foi inspirada no livro The values of the game, de Bill Bradley, um ex-jogador de basquete da seleção olímpica dos Estados Unidos e depois da badalada NBA, a liga de basquete profissional norte-americana, que se tornou senador a candidato a candidato a presidente pelo Partido Democrata (foi derrotado por Al Gore). Em sua exposição, o professor Machado abordou diversos aspectos que foram aprendidos em seu tempo de jogador de basquete e que têm sido fundamentais em sua vida pessoal e profissional, tais como: paixão, disciplina, desprendimento, respeito, perspectiva, coragem, persistência, responsabilidade, resistência, imaginação e liderança. Como pano de fundo, o embasamento de um dos maiores teóricos da criatividade, Ned Herrmann.

Já o consultor e professor da FAAP Pós-Graduação Cláudio Queiroz ministrou a palestra intitulada Chave: A integração de competências (CHAE) & valores.

Fundamentada parcialmente em seu livro As competências das pessoas, Cláudio Queiroz começou definindo competência como “o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes correlacionadas que em ação agregam valor ao indivíduo e à organização, ao que denominamos de entrega”.

Em síntese:

Conhecimento: Saber. Engloba os saberes aprendidos na faculdade, nos cursos, nas leituras, no trabalho e na escola da vida. Exemplo: conhecer os tipos de nado.

Habilidade: Saber fazer. É a dimensão prática que desenvolvemos na medida em que empregamos o conhecimento adquirido. Exemplo: exercitar-se na piscina, nadando, capacitando-se na habilidade de nadar.

Atitudes: Querer fazer. É a predisposição pessoal em fazer ou não alguma ação. É o que nos leva a pôr em prática os conhecimentos e habilidades. Exemplo: disciplina e persistência em aprender e treinar o nado.

Entrega: Fazer. É executar efetivamente. Pôr em prática. Exemplo: nadar.

Ao concluir sua exposição, Cláudio Queiroz foi calorosamente aplaudido pelo público presente, que se encantou não apenas com o conteúdo da apresentação, mas também com a simpatia do expositor.

Balanço final

A aplicabilidade dos conceitos apresentados tanto nas palestras como nos workshops e o foco na temática do Fórum foram dois aspectos muito valorizados pelos participantes, bem como pelos conselheiros da Fundação Brasil Criativo que se reuniram para avaliar os aspectos positivos e negativos do evento.

O saldo, sem dúvida, foi amplamente positivo, o que gera de imediato grande expectativa para a 11ª edição do Fórum, a ser realizada em agosto de 2011, contribuindo para que, além de Capital Brasileira da Qualidade de Vida, Aracaju se consolide como a Capital Brasileira da Criatividade.

Para os professores da FAAP presentes, pode-se incluir neste saldo a oportunidade de rever velhos conhecidos, fazer novos contatos, atualizar conhecimentos, observar abordagens diferentes, trocar informações, enfim, agregar valor aos conteúdos acumulados referentes à criatividade e à inovação.


Luciano Pires e Luiz Alberto Machado, momentos antes da abertura do
X Fórum Internacional de Inovação e Criatividade.


Flagrante da palestra de abertura, com Luciano Pires.


A consultora Mitsu Araújo, ao centro, ladeada pelas professoras da
FAAP, Fátima Jinnyat (á esquerda) e Sumara Regina Ancona Lopes (à direita).


Flagrante da palestra da consagrada Jo Yudess.


Primeira parte da palestra Das quadras para a vida: o atleta Luiz Alberto Machado.


Segunda parte da palestra Das quadras para a vida:
o professor e consultor Luiz Alberto Machado.


Flagrante da palestra do professor Cláudio Queiroz.


Min Basadur contou com a colaboração do consultor Beto Menescal,
que fez a tradução consecutiva de sua exposição.


Flagrante do painel Cidades Criativas, Inovadoras e Sustentáveis, com a participação da professora Catarina Selada, de Portugal, Edvaldo Nogueira, prefeito de Aracaju, e Fernando Viana, presidente da Fundação Brasil Criativo, com a mediação de José Leite Filho, do Sebrae/SE.


Os professores da FAAP presentes ao X Fórum Internacional de Inovação e Criatividade: Luiz Alberto Machado, Fátima Jinnyat, Cláudio Queiroz e Sumara Regina Ancona Lopes.