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Os Estados Unidos da América e o Islã
Marcus Vinícius de Freitas
Professor de Direito no curso de
Relações Internacionais da FAAP
Em 27 de maio de 2010, os alunos do curso de Relações Internacionais da FAAP tiveram a oportunidade de participar de uma palestra ministrada por Rashad Hussain, enviado especial do Governo dos Estados Unidos à Organização da Conferência Islâmica (OCI), acompanhado de David Brooks, cônsul político dos Estados Unidos, que ministrou um curso sobre História Americana e Prática Diplomática na FAAP. Recentemente nomeado, Rashad Hussain, de origem islâmica, que havia anteriormente servido na equipe jurídica do presidente Barack Obama, tem a missão de promover a melhor compreensão mútua com o mundo islâmico.
Com mais de 7 milhões de muçulmanos nos Estados Unidos, a missão do enviado especial é propagar internacionalmente a mensagem de envolvimento e maior cooperação com as comunidades muçulmanas ao redor do mundo. Este foi um dos motivos principais da sua visita ao Brasil, país que hospeda mais de 400 mil muçulmanos e tem a maior comunidade islâmica da América Latina. A mensagem do presidente Obama, neste sentido, foi expressa durante discurso proferido na Universidade do Cairo, onde delineou uma visão de um novo começo baseado em interesse e respeito mútuo. Ademais, enfatizou que os Estados Unidos e o Islamismo não são contraditórios, mas compartilham princípios de justiça, progresso, tolerância e dignidade humana. Tais princípios deveriam orientar o relacionamento e o compromisso neste sentido seria julgado pelas ações e não por palavras somente.
Fato neste sentido, destacou o enviado especial, foi a nomeação, por parte do governo norte-americano, do senador George Mitchell, no segundo dia do presidente Obama na Casa Branca, ressaltando a urgência e importância da resolução do conflito Israel-Palestina, no sentido de estabelecer um Estado Israelense e Palestino convivendo harmonicamente, em paz e segurança.
No caso do Afeganistão, o governo norte-americano tem buscado implementar uma estratégia militar no sentido de enfraquecer o Afeganistão e incrementar maior envolvimento da sociedade civil no processo de reconstrução, uma vez que já se verificou que a utilização do poder militar não é suficiente para resolver os problemas ali existentes e no Paquistão. Para tanto, o governo norte-americano tem aumentado os compromissos de assistência econômica, com o intuito de prover maior crescimento econômico. Foi também reafirmado que, no caso iraquiano, os Estados Unidos têm o compromisso de encerrar a guerra alterando o compromisso militar atual para uma parceria baseada em interesses mútuos.
Além dessas movimentações, foi relembrado que o presidente Obama indicara o primeiro embaixador à Síria desde 2005, não como um sinal de aceitação das políticas internas, mas com o intuito de abrir um canal de comunicação para explorar e aprofundar o diálogo.
No discurso do Cairo, o presidente Barack Obama enfatizou que o extremismo violento não tem guarida no Islamismo, que o rejeita em seus textos sagrados, ao citar um famoso versículo do Alcorão, que iguala o homicídio de uma pessoa inocente ao assassinato de toda humanidade, e que o delinquente enfrentará a justiça nesta vida e na próxima. O massacre em Fort Hood, no Texas, e a tentativa de ataque, em 25 de dezembro de 2009, em Times Square, em Nova Iorque, são acontecimentos pontuais – ressaltou - que não retiram dos Estados Unidos o compromisso de envolver as comunidades islâmicas em todo o mundo, apesar de extremismos pontuais.
O embaixador Hussain mencionou ainda uma série de iniciativas que têm sido realizadas, nos mais variados campos, incluindo a expansão no número de oportunidades para estudantes da África do Norte, Oriente Médio e Sudeste Asiático visitarem e estudarem nos Estados Unidos. Com este propósito, o governo tem aumentado os fundos em mais de 30%, com um incremento proposto de mais 14% para 2011. Os estudantes norte-americanos também têm sido incentivados a aprenderem novas línguas e a estudarem em países muçulmanos.
Relembrou, ainda, que o presidente Barack Obama realizou a Cúpula do Empreendedorismo, em abril de 2010, com mais de 200 delegados estrangeiros, de cerca de 55 países, na maioria muçulmanos, contando inclusive com a participação do brasileiro André Luis Lara Mello, que representou o Brasil e a comunidade muçulmana, e que estava presente na palestra na FAAP, e que está escrevendo o livro “As Mesquitas de São Paulo”.
Por fim, o embaixador Hussain enfatizou os mais variados projetos em fase de implementação em setores como ciência e tecnologia, envio de cientistas norte-americanos ao mundo islâmico, iniciativas de saúde, como a redução global da poliomielite nos países membros da OCI, particularmente no Afeganistão, Nigéria e Paquistão, onde é considerada uma endemia, afetando, ademais, a população muçulmana na Índia, e um manifesto crescimento em países como Senegal, Mauritânia, Serra Leoa, Guiné, Mali, Níger, Burkina Faso, Chade e Tadjiquistão. Além disso, outras iniciativas no sentido de promover maior aproximação entre a fé cristã e muçulmana têm sido realizadas, no sentido de envolver a comunidade islâmica em todo o mundo.
Por fim, o embaixador Hussain citou uma frase do presidente Barack Obama, que afirmou: “É mais fácil começar guerras do que as terminar. É mais fácil culpar os outros do que olhar para dentro de si e ver o que é diferente com relação a alguém e encontrar as coisas que compartilhamos.”
Esta mensagem, disse Hussain, serve de perspectiva fundamental dos Estados Unidos no seu relacionamento com os países no mundo e certamente norteia como os Estados Unidos se relacionam e relacionarão com o Brasil durante o Governo Obama.
Fotos e legendas

Foto 1 - Rashad Hussain.

Foto 2 – Rashad Hussain, enviado especial do Governo dos Estados Unidos à Organização da Conferência Islâmica (OCI), professor Marcus Vinicius de Freitas e David Brooks, cônsul político dos Estados Unidos em São Paulo.
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