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Aula inaugural para alunos do período noturno da Faculdade de Economia
focaliza legado de Raúl Prebisch.

 

No dia 16 de agosto de 2011 foi realizada, no Centro de Convenções da FAAP, a aula inaugural do segundo semestre do ano letivo com o título de O regresso de Raúl Prebisch.

A palestra foi ministrada por Edgar L. Dosman, professor da York University, em Toronto, Canadá, autor do livro Raúl Prebisch (1901 – 1986) – A construção da América Latina e do Terceiro Mundo, lançado em São Paulo por ocasião da palestra.

O embaixador Rubens Ricupero, diretor da Faculdade de Economia da FAAP, presidiu a sessão que contou também com a presença da senhora Rosa Aguiar Furtado, viúva de Celso Furtado que, há dez anos, no Congresso Brasileiro de Economia realizado em Recife, foi aclamado “Economista Emérito do Brasil”.

O livro, na verdade uma extraordinária biografia de Raúl Prebisch, é produto da parceria entre o Centro Internacional Celso Furtado e a editora Contraponto. A obra, eleita um dos melhores livros de 2009 (ano da publicação do original em inglês) pela revista The Economist, foi saudada por Krishnamurti Rangaswami, ex-diretor da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) da seguinte forma: “Um estudo monumental, o produto de uma investigação massiva baseada em valiosas fontes de arquivo, conversas íntimas e, sobretudo, a percepção e análise magistral das ideias de Prebisch e das situações que enfrentou ao longo de sua carreira. Este livro é uma leitura de referência essencial para a compreensão de nossa era atual de globalização e domínio do mercado livre, e é altamente recomendado para os tomadores de decisão política”

Falando em português, o professor Dosman conseguiu prender a atenção do público presente à Aula Inaugural, fazendo uma exposição clara e bastante acessível dos principais aspectos contidos no livro.

Em seu comentário ao final da exposição do professor Dosman, o embaixador Rubens Ricupero ressaltou a incrível atualidade do pensamento de Raúl Prebisch – e também de Celso Furtado –, reeditando, em parte, as ideias de um artigo publicado no jornal A Folha de S. Paulo, reproduzido a seguir.

Prebisch e Furtado

Na 1ª Gincana Nacional, realizada em Bonito, concomitantemente ao XIX Congresso Brasileiro de Economia, Victor e Guilherme conquistaram o quinto lugar.


Prebisch e Furtado

Morto há 25 anos, Prebisch continua atual no cenário de retrocesso da industrialização no Brasil e na América Latina, da dependência das commodities e da volta do debate sobre a "questão nacional". Nada melhor assim do que ler a magistral biografia sobre Raúl Prebisch e seu tempo, do professor canadense Edgar J. Dosman, traduzida por iniciativa do Centro Celso Furtado (em coedição com a Contraponto).

A relação fecunda, às vezes conflitiva entre Celso Furtado e Prebisch recebe no livro o relevo que merece. O autor reconhece como decisiva a contribuição intelectual do jovem ex-expedicionário brasileiro na edificação do arcabouço teórico da CEPAL, a Comissão Econômica da ONU para a América Latina, liderada pelo economista argentino.

A infeliz decisão de impedir a divulgação do estudo da economia mexicana dirigido por Furtado levou este último a romper em 1957 com Prebisch, do qual era considerado o natural sucessor. Na descrição do episódio, Dosman não esconde os erros e fraquezas de seu biografado. Sertanejo destemido, Celso perde no terreno do poder, mas sai vitorioso no da coerência e integridade moral.

Reconciliados mais tarde, os dois se tornariam os únicos latino-americanos capazes de criar pensamento original sobre o desenvolvimento com profunda e duradoura influência no mundo. Mais do que simples biografia, o livro traz de volta as grandes discussões no Brasil do após-guerra sobre a "questão nacional", isto é, a passagem definitiva do estágio herdado da economia colonial e dependente para o de um desenvolvimento voltado à integração do mercado nacional.

Ressoam na obra os ecos da polêmica provocada pelas conferências ortodoxas de Jacob Viner, a defesa por Gudin e Bulhões da opção pelas vantagens comparativas do Brasil em agricultura, contrapostas aos partidários da criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e da implantação de indústria de bens de capital.

À luz de hoje é curioso ler sobre as ameaças de Roberto Campos e do governo Castelo Branco ao instituto de pesquisas criado por Prebisch por ter este abrigado em Santiago "esquerdistas" conspícuos como Fernando Henrique Cardoso e Francisco Weffort...

Fica da leitura o sabor melancólico de que, como todo profeta, Prebisch foi mais seguido pela China e países asiáticos do que em sua própria terra. A industrialização que ele pregava não era a mera substituição de importações com protecionismo. Essa não passava da etapa inicial da conquista de competitividade mediante a exportação de manufaturas a mercados externos.

Quem aplicou de modo correto a estratégia foram os chineses. Lograram, por isso, escapar da periferia e se converterem no centro da nova distribuição internacional do trabalho. Enquanto isso, o Brasil e a América Latina continuam a gravitar na periferia.

Só mudaram, uma vez mais, de centro de dependência.

As commodities latinas não são muito diversas das do passado. Apenas voltaram aos bons preços que durante décadas criaram a prosperidade ilusória da Argentina. Até a crise de 1930 acarretar o colapso que marcou para sempre a vida de Prebisch.

Será diferente esta vez?

Prof. Edgar L. Dosman
Prof. Edgar L. Dosman

Raúl Prebisch
Raúl Prebisch

Celso Furtado
Celso Furtado

Biografia Raúl Prebisch
Capa da magistral biografia de Raúl Prebisch,
escrita por Edgar L. Dosman

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