O futuro da educação eletrônica

Jason Pontin*


A aprendizagem eletrônica representa para a educação o que o comércio eletrônico é para a atividade econômica: uma frustração no seu atual nível de desenvolvimento. Porém, ao mesmo tempo, é o futuro. Chegará o dia no qual o adjetivo "eletrônico" parecerá redundante. Todas as experiências educacionais terão seu componente tecnológico na rede, cuja amplidão dependerá do assunto que estiver sendo ensinado.


A atração desse assunto para educadores e estudantes pode ser resumida rapidamente: permite aos estudantes receber a instrução no momento mais conveniente; libera os educadores da tirania da geografia; aumenta os recursos disponíveis e melhora a eficiência das aulas.


Apesar disso, dos 2,7 bilhões de dólares investidos no ensino eletrônico em 2000, uma parte enorme se perdeu. A maioria das companhias do setor faliu e a tentativa de se utilizar a Internet para reformar a educação americana foi cara e malsucedida. Só a empresa JuniorNet literalmente queimou 100 milhões de dólares, obtendo resultados ridículos.


Os únicos mercados que cresceram foram o de capacitação empresarial e o de educação superior. A "capacitação empresarial externa" - na qual os funcionários aprendem habilidades vocacionais ensinadas por organizações alheias a suas próprias empresas - constituiu um setor de 15 bilhões de dólares em vendas este ano e deve atingir 25 bilhões até 2003. O ensino superior, no qual os americanos gastaram 11 bilhões de dólares no ano 2000, também fez importantes investimentos no que denomina "aprendizagem distribuída". Segundo o Parthenon Group, uma empresa privada de Boston, as "tecnologias de aprendizagem" representaram cerca de 10% do tempo dedicado à aprendizagem distribuída, número que deve subir para 18% em 2002.


Ou seja, a falha está em como esta tecnologia está sendo usada no ensino até o 2º grau. Isso porque as escolas públicas americanas são administradas por uma burocracia conservadora e que se opõe às inovações; porque a compra de bens de capital das escolas se caracteriza por prolongados ciclos de vendas e porque elas não têm muitos recursos para gastar. Por outro lado, tais iniciativas funcionam bem em setores mais endinheirados como nas universidades e empresas, que têm importantes orçamentos e fundos provenientes de doações e que estão empenhados em aproveitar as inovações em capacitação e educação.


Isso não aconteceu no ensino de 1º e 2º graus, onde a aprendizagem eletrônica carece de padrões técnicos comuns e de infra-estrutura. O projeto das aulas ministradas por meios eletrônicos, por exemplo, não tem sido satisfatório e seus defensores têm mostrado uma surpreendente hesitação na hora de criar uma experiência combinada que utilize ao mesmo tempo o treinamento baseado na tecnologia e o uso de instrutores humanos. Porém, à medida que esses problemas forem sendo resolvidos e os custos diminuírem, os vendedores de ensino eletrônico para a faixa que vai do jardim de infância até o fim do 2º grau poderão oferecer um material melhor, de modo tal que a aprendizagem se torne parte da educação e do futuro das crianças.


* Jason Pontin é editor-chefe da revista Red Herring e membro do conselho da Zoom Media Group