O
Brasil como sócio menor da globalização:
insuficiente interdependência econômica e pequena participação
comercial
Paulo
Roberto de Almeida*
Resumo:
Descartando a noção de que o Brasil estaria sendo fragilizado
pelo processo de globalização, o texto demonstra, com
base em dados empíricos, como a economia brasileira é,
de fato, muito pouco integrada à economia mundial e como o desempenho
comercial do país revelou-se insuficiente para fazê-lo
participar dos fluxos dinâmicos da globalização.
Uma perspectiva comparada com outros países revela, precisamente,
que níveis mais elevados de desenvolvimento e de riqueza tendem
a acompanhar um processo mais afirmado de interdependência econômica
e de maior inserção nos intercâmbios comerciais
e financeiros da economia globalizada.
Palavras-chave: Brasil, economia internacional, globalização,
comércio internacional.
O
Brasil e o comércio internacional
Nos últimos anos, sobretudo depois das crises financeiras inauguradas
em 1995 no México, continuadas em 1997 e 1998 na Ásia e
na Rússia e que engolfaram igualmente o Brasil em 1999, tornou-se
quase uma noção de senso comum, tanto entre economistas
como para o público em geral, a percepção de a globalização
teria ido “longe demais”, provocando efeitos mais nefastos
do que positivos para o conjunto de países envolvidos nesse aparentemente
irrefreável processo de interdependência econômica
internacional. No Brasil, em particular, disseminou-se também a
impressão de que o País teria aberto indiscriminadamente
sua economia ao investimento estrangeiro – via privatizações
ou desregulamentação de setores antes reservados ao capital
nacional – ou a de que o governo teria conduzido uma abertura comercial
externa “irresponsável”, sem “reciprocidade e
sem barganha”, dando início, assim, a uma fase de déficits
comerciais crônicos em nosso balanço de pagamentos e, pior,
a um processo de desmantelamento progressivo do parque industrial instalado.
A realidade das estatísticas e das evidências empíricas
até aqui acumuladas em torno do efetivo impacto econômico
da globalização no sistema econômico e social brasileiro
é, contudo, bem mais matizada do que transparece por meio de uma
leitura apressada dos periódicos especializados ou das colunas
dos comentaristas econômicos, geralmente pessimistas em relação
a esses fenômenos de abertura externa e de interdependência
econômica internacional. O exame dos números relativos à
inserção econômica internacional do Brasil modifica
esse cenário negativo derivado de impressões não
confirmadas pelos dados disponíveis. Antes de tudo, deve-se reconhecer
que o Brasil, que possui uma das economias mais introvertidas do mundo,
sempre acompanhou mal o dinamismo das exportações mundiais,
cujo crescimento, em qualquer período da história que se
examine, sempre se dá um ou dois pontos percentuais acima do ritmo
de crescimento do produto bruto dos países individuais e da própria
economia mundial.
No século XIX, por exemplo, praticando uma política comercial
que, no geral, era livre-cambista, o Brasil fixava seus níveis
tarifários mais para fins de arrecadação fiscal do
que num sentido protecionista e industrializador; a especialização
agrária no café e em alguns outros poucos produtos primários
(de baixa elasticidade-preço) impediu, por outro lado, a necessária
diversificação de sua pauta exportadora, a despeito mesmo
de um notável esforço de “promoção comercial”
no início da República. Não obstante os elevados
saldos comerciais obtidos a partir da ascensão do café (e
da borracha) no mercado mundial, a maior parte dos valores assim liberados
destinava-se ao pagamento do serviço da elevada dívida externa
então acumulada, bem como à cobertura dos investimentos
estrangeiros realizados no Segundo Império. A grande dependência
do rendimento nacional em relação às exportações
representava, ademais, notável fragilidade econômica, pois
que submetida à eventual deterioração dos termos
do intercâmbio e desorganizando a economia nacional em momentos
de queda dos preços mundiais ou de contração dos
mercados externos1.
Ainda assim, o Brasil se inseria moderadamente na economia mundial. No
começo do século XX, estimou-se que o coeficiente de abertura
externa – isto é, a parte da formação do produto
que passa pelo comércio externo, medido de forma global –
poderia representar cerca de 20% do produto interno bruto. No período
que vai da Primeira à Segunda Guerra mundiais, os equilíbrios
econômicos são rompidos pelos conflitos destruidores na Europa
e na Ásia, pela crise de 1929, pela depressão e pelo protecionismo
dos anos 30, pelo fechamento da América Latina ao mercado mundial,
enfim, por uma ruptura geral da velha ordem econômica liberal, com
o desenvolvimento generalizado do intervencionismo estatal e a interrupção
dos fluxos monetários e financeiros. Tem início aí
um processo de introversão econômica que só iria terminar
na última década do século.
Muito embora até 1960 o Brasil mantivesse seu tradicional perfil
de exportador de alguns poucos produtos primários não-processados
– café, cacau, açúcar –, as mudanças
decisivas no desempenho relativo da economia brasileira se dariam no período
posterior a 1950, coincidindo, aliás, com uma expansão notável
do comércio internacional, transformado em verdadeiro motor do
crescimento mundial. Assiste-se a partir desses anos a um rápido
processo de industrialização no Brasil, movido por ativas
políticas intervencionistas, ao mesmo tempo em que o Estado se
tornava fator inflacionário, ao ordenar investimentos e gastos
correntes não com base em arrecadação e poupança,
mas em emissões não cobertas pelo orçamento. A natureza
do crescimento é, no entanto, diversa daquela observada nos países
mais dinâmicos do capitalismo mundial, sobretudo no que se refere
à inserção internacional dessas economias. Enquanto
a Alemanha e o Japão, por exemplo, aumentavam extraordinariamente
o nível de suas respectivas exportações per capita
– passando a primeira de modestos US$ 40 em 1950 para US$ 1.090
em 1973, e o segundo de US$ 10 a US$ 340 no mesmo período –,
o Brasil marcava passo, incrementando suas exportações de
US$ 26 por habitante para modestos US$ 62 no quarto de século decorrido.
De forma geral, o ritmo de crescimento e a participação
das exportações no PIB continuaram a ostentar níveis
bastante baixos, como se conhece pela evidência histórica2.
O desempenho exportador do Brasil começa a tornar-se mais satisfatório
a partir dos anos 70, com uma grande diversificação geográfica
e qualitativa da pauta exportadora. O Brasil, que até essa época
tinha problemas de saldo em contas correntes, torna-se, por força
dos problemas da dívida externa e das importações
de petróleo, um país estruturalmente exportador, que passa
a liberar grandes saldos em sua balança comercial: praticamente
o terceiro excedente comercial do mundo depois da Alemanha e do Japão.
Mas as diferenças são ainda consideráveis nesse setor,
quando se comparam os desempenhos dos mesmos países. Em 1987, por
exemplo, a Alemanha, que conseguiu triplicar o nível de suas vendas
externas em 15 anos, tornava-se o primeiro exportador mundial per capita
(com US$ 3.000 por habitante), enquanto o Japão multiplicava as
suas exportações por 4,4, atingindo US$ 1.467 per capita,
quase duas vezes o índice dos Estados Unidos.
O Brasil, mesmo aumentando significativamente o volume e diversificando
o destino de suas exportações, saiu de seu modesto patamar
de US$ 62 em 1973 para pouco mais de US$ 191 por habitante em 1987, valor
bastante inferior aos US$ 283 do México, cuja população
se situava na faixa dos 82 milhões de habitantes, contra 140 milhões
do Brasil. Em 1992, o Brasil havia conseguido elevar suas exportações
a US$ 240 per capita, um valor ínfimo comparado ao de diversos
exportadores dinâmicos da Ásia. De fato, a América
Latina como um todo, atingida em cheio pela crise da dívida, mas
muito mais pela incompetência de sua política econômica,
perde espaço nos mercados internacionais: de uma participação
de 7% nas exportações globais em 1982, a região não
consegue colocar mais do que 5,7% em 1986, valor ainda reduzido para 5,5%
em 1992. Em contraste, a Ásia, mesmo sem considerar o Japão
(que passa, individualmente, de 9% a 12,3%), aumenta sua participação
nas vendas totais de 12,8%, em 1982, para 19,8% em 1992. A Europa comunitária
e a América do Norte também aumentam, embora em níveis
mais modestos, suas partes relativas nas exportações mundiais,
sendo que a África, o Oriente Médio e os países socialistas
experimentam dramáticos declínios nessa frente.
Dentre outras insuficiências do processo de desenvolvimento brasileiro
– como os níveis assustadoramente elevados de concentração
de renda – situa-se, ainda hoje, o baixo coeficiente de abertura
externa da economia brasileira, resultado de um processo de meio século
(de 1930 a 1980) de fechamento internacional no seguimento da crise de
1929 e da depressão dos anos 30. Com efeito, o Brasil conhece uma
“involução” ao longo do período, saindo
de um percentual de exportações em relação
ao PIB maior que o dobro da média mundial em 1870 (11,8% contra
5,0%) para cerca de um terço daquela média em 1992 (4,7%
contra 13,5%), o que denota uma considerável perda de dinamismo,
uma vez que o comércio exterior é, reconhecidamente, um
dos mais poderosos indutores do crescimento econômico, da modernização
tecnológica e dos ganhos de competitividade.
Uma evolução positiva para uma maior inserção
econômica internacional começou, entretanto, a ser observada
desde meados dos anos 80 e início dos 90, quando se dá a
partida, timidamente no começo, a processos de reforma tarifária
e de liberalização comercial e de integração
econômica com a Argentina, este último acelerado e ampliado
de forma quadrilateral, em 1991, no contexto do Mercosul . Em outros termos,
o Brasil passou a incorporar-se, embora ainda timidamente, ao grande movimento
de interdependência característico da economia mundial no
fim do século XX e início do XXI.
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* Paulo Roberto de Almeida
é doutor em Ciências Sociais, mestre em Planejamento Econômico
e diplomata de carreira desde 1977. Publicou os seguintes livros: Mercosul:
fundamentos e perspectivas (LTr, 1998), Relações internacionais
e Política externa do Brasil: dos descobrimentos à globalização
(UFRGS, 1998), O Brasil e o multilateralismo econômico (Liv. Advogado,
1999); Os primeiros anos do século XXI: o Brasil e as relações
internacionais contemporâneas (Paz e Terra, 2002) e Formação
da Diplomacia Econômica no Brasil: as relações econômicas
internacionais no Império (Senac, 2001). Website: www.pralmeida.org
-
Para
maiores desenvolvimentos sobre o desempenho histórico da economia
brasileira no longo prazo, ver o primeiro capítulo, “O
Brasil no contexto econômico mundial: 1820-1992”, de meu
livro O estudo das relações internacionais do Brasil
(São Paulo: Unimarco, 1999). A análise da diplomacia
econômica brasileira no século XIX foi feita em detalhe
em meu livro Formação da diplomacia econômica
no Brasil: as relações econômicas internacionais
no Império (São Paulo: Senac, 2001).
-
Remeto
novamente ao trabalho acima citado, “O Brasil no contexto econômico
mundial: 1820-1992”, baseado extensivamente nas pesquisas de
história econômica de Angus Maddison, e notadamente no
trabalho Monitoring the World Economy, 1820-1992 (Paris: OECD, 1995).
Mais recentemente, o mesmo historiador publicou novos dados sobre
o desempenho relativo dos países integrando, no longo prazo,
a economia mundial em perspectiva histórica: The World Economy:
a millenial perspective (Paris: Development Center, OECD, 2001).
-
Remeto
a meu livro Mercosul: fundamentos e perspectivas (São Paulo:
LTr, 1998).
Abertura
comercial, desenvolvimento econômico e perfil da proteção
As críticas mais freqüentes dos adversários da globalização
referem-se a seu suposto papel empobrecedor de países periféricos
como o Brasil e seu impacto fragilizador na estrutura econômica
desses países, na medida em que ela conduz a inevitáveis
desequilíbrios na balança comercial e, portanto, no balanço
de pagamentos, com o conseqüente aumento da dependência financeira
e tecnológica e a perda de controle dos fluxos financeiros associados
à abertura externa e à liberalização comercial.
Teria também o Brasil, a partir das grandes transformações
econômicas iniciadas no governo Collor, em 1990, e continuadas sob
as duas administrações do presidente Fernando Henrique Cardoso,
convertido-se num sistema econômico mais aberto ao “capital
internacional”, e teria essa abertura conduzido a uma desnacionalização
inaceitável de sua base industrial e tecnológica?
Os dados até aqui registrados para a maioria dos países
não permitem confirmar esse tipo de afirmação. Ao
contrário, as estatísticas indicam um nível mais
satisfatório de desempenho econômico – e, portanto,
de bem-estar social – a partir de níveis mais elevados de
exposição ao comércio exterior e aos investimentos
internacionais. A primeira correlação que salta aos olhos
a partir de uma leitura da tabela 1, relativa à inserção
econômica internacional de países selecionados – compilada
a partir de dados homogêneos organizados pelos economistas do Banco
Mundial – é a de que há uma evidente vinculação
empírica entre o nível do produto per capita e o coeficiente
de abertura externa (isto é, a participação do comércio
exterior na formação do PIB), tal como praticado pelos países
em questão. Para tornar ainda mais eloqüente essa relação
– que não é absoluta, sublinhe-se desde logo –,
um confronto ainda mais direto é oferecido pelos números
alinhados na tabela 2.
Com efeito, os dados da tabela 2 são consistentes com uma velha
verdade conhecida dos economistas e dos sociólogos do desenvolvimento:
o comércio externo é um poderoso indutor de crescimento,
de criação de riqueza e de modernização tecnológica.
Estão ausentes do quadro os campeões absolutos em termos
de percentuais de comércio em relação ao PIB, Cingapura
e Hong-Kong – com índices respectivos de 316% e 247%, e renda
per capita de US$ 29 mil e US$ 24,5 mil –, uma vez que se trata
de cidades-Estado com características muito peculiares no comércio
de transbordo. O Brasil, como se pode verificar nas tabelas 1 e 2, é
um dos países de menor coeficiente de abertura externa da América
Latina e do mundo, sendo também notório que seu grau razoável
de renda per capita esconde uma das mais gritantes disparidades distributivas
de todo o planeta, provavelmente superior à concentração
registrada em todos os seus colegas da coluna de menor abertura comercial
externa. A América Latina, aliás, fez notórios progressos
em matéria de abertura comercial nos últimos dez anos, mas
seu coeficiente é ainda 50% inferior ao índice dos países
desenvolvidos, e está mais de dez pontos percentuais abaixo da
média mundial.
A segunda correlação empírica que transparece da
observação da tabela 1 é a de que uma maior exposição
ao comércio exterior coincide manifestamente com o grau de proteção
aparente (revelado na tarifa média aplicada às importações)
dos países selecionados, muito embora tal situação
seja bem menos evidente no caso dos Estados Unidos. Deve-se, no entanto,
considerar o fato de que as grandes economias, os chamados “países-baleia”,
tendem geralmente a apresentar um menor coeficiente de abertura externa,
ainda que este, no caso norte-americano, seja praticamente o dobro do
índice registrado para o Brasil. Em todo caso, uma maior taxa de
proteção efetiva – de ordem tarifária e não-tarifária
– contribui notoriamente para reduzir o papel do comércio
exterior como indutor do processo de desenvolvimento e de modernização
tecnológica. Uma terceira correlação refere-se ao
duplo movimento dos fluxos de capital privado e de investimento direto
estrangeiro como percentual do PIB, também notoriamente mais elevados
nos países com maior coeficiente de abertura comercial. Pelos dados
da última coluna dessa tabela, pode-se mais uma vez constatar que
o Brasil, junto com a Índia, é um dos países menos
“internacionalizados” do planeta, ao passo que o baixo índice
apresentado pelo Japão parece ser compensado pelo vigor dos fluxos
de capitais privados.
A
importância da diversificação comercial e dos investimentos
diretos
Algumas outras constatações a partir dos dados podem ser
interessantes para a análise econômica, como a de que o crescimento
líquido do comércio internacional foi mais importante nas
economias com maior volume de comércio de bens como percentual
do PIB e, de forma geral, com maiores coeficientes de abertura externa.
Em outras palavras, nações pouco “comerciantes”
ou com uma exportação concentrada em um número reduzido
de commodities, como é o caso do Brasil, tendem a apresentar menor
dinamismo relativo no ritmo de crescimento e, supostamente, no processo
de desenvolvimento. Finalmente, pode-se observar com uma certa satisfação
que o Brasil aumentou significativamente o seu grau de abertura externa
na década 1986-96, muito embora ele seja ainda notoriamente insuficiente
para apoiar um processo sustentado e contínuo de modernização
tecnológica e de distribuição dos frutos da riqueza
produzidos pelo comércio exterior. Em especial, o comércio
de bens como percentual do PIB de bens – indicador especialmente
revelador do grau de inserção internacional da economia,
uma vez que os serviços tendem a ser mais “non-tradables”
que as mercadorias – é ridiculamente pequeno quando comparado
aos índices de “gigantes” comerciais como Hong-Kong
ou Holanda, ou mesmo aos de países que não apresentam portos
de grande transbordo comercial, como México e Coréia do
Sul.
O crescimento do comércio em relação ao PIB ocorre
geralmente com tarifas menores, processo observado mesmo no México,
que herdou o típico perfil tarifário do modelo substitutivo
industrializador da América Latina, mas que operou uma dramática
redução a partir dos níveis bastante altos conhecidos
em meados dos anos 1980 (similares aos do Brasil e da Argentina, cujos
direitos aduaneiros se situavam numa média de 45%). No caso do
Chile, a tarifa única de 11% se apresenta na verdade com uma média
de 7%, em virtude dos muitos acordos preferenciais já contraídos
por esse país e trata-se, comprovadamente, da economia com maior
grau de atratividade ao capital estrangeiro de toda a América Latina.
Com efeito, a despeito da alardeada abertura brasileira ao capital estrangeiro,
nosso País apresenta um dos menores índices de participação
de IDE no PIB, na média quatro vezes menor do que nos países
de alta renda.
O que, finalmente, os dados revelam é que o Brasil ainda tem um
longo caminho pela frente no sentido de uma maior inserção
econômica internacional, processo que deve caminhar pari passu,
como geralmente é o caso em todas as outras experiências
conhecidas, com o desenvolvimento de seu mercado interno e com a incorporação
de frações cada vez mais amplas da população
economicamente ativa em setores da economia voltados para o comércio
exterior. Para facilitar o conhecimento da evolução da política
comercial brasileira na segunda metade do século XX, o quadro analítico
3 apresenta o itinerário dos principais instrumentos e medidas
adotados nesse terreno, no contexto dos sistemas regional e multilateral
de comércio, entre 1944 e 2005.
Com toda a evidência, a globalização, até agora,
tocou muito pouco a economia brasileira, que deve e pode buscar caminhos
soberanos para o exercício consciente de uma maior internacionalização
dos circuitos produtivos internos. Nesse processo, o País não
se tornará mais “dependente” dos capitais “especulativos”
externos e sim, como foi o caso em todas as demais experiências
conhecidas, mais “interdependente” da economia mundial. Pode-se
argumentar, parafraseando a conhecida assertiva de George Orwell em sua
novela política A Revolução dos Bichos, que alguns
países sempre serão mais “interdependentes”
do que outros, mas os dados também indicam que os menos “interdependentes”
não são manifestamente os de maior renda per capita.
Tabela 1 Inserção de países selecionados na economia
mundial, 1986-1997
|
|
Países |
PNB per |
Comércio exterior como |
Comércio de bens como |
Cresc. do comércio |
Tarifa mediana |
Fluxos brutos de capital privado |
Investimento direto estrangeiro |
capita (PPP*) |
% do PIB |
% do PIB de bens |
- cresc. do PIB % |
(todos os produtos) |
como % do PIB |
como % Do PIB |
1997 |
1986 |
1996 |
1986 |
1996 |
1986-96 |
1990-96 |
1986 |
1996 |
1986 |
1996 |
|
Argentina |
9.950 |
5,9 |
14,0 |
23,1 |
44,0 |
8,0 |
11,2 |
3,4 |
7,9 |
0,3 |
1,3 |
|
Brasil |
6.240 |
5,8 |
10,2 |
26,0 |
24,9 |
6,6 |
12,2 |
3,2 |
4,6 |
0,1 |
0,7 |
|
Chile |
12.080 |
11,6 |
18,9 |
85,9 |
… |
4,5 |
11,0 |
5,0 |
8,8 |
0,5 |
3,0 |
|
México |
8.120 |
6,8 |
26,1 |
51,2 |
143,8 |
7,3 |
13,1 |
5,9 |
6,6 |
0,6 |
1,0 |
|
Paraguai |
3.870 |
8,2 |
29,3 |
45,5 |
115,3 |
12,3 |
9,4 |
4,0 |
3,9 |
0,0 |
1,1 |
|
Peru |
4.390 |
6,6 |
13,0 |
… |
… |
4,2 |
13,3 |
5,3 |
5,2 |
0,1 |
3,3 |
|
Uruguai |
8.460 |
14,7 |
22,8 |
68,4 |
89,1 |
6,8 |
9,7 |
3,2 |
11,9 |
0,3 |
0,7 |
| América
Latina |
6.660 |
7,9 |
17,3 |
40,6 |
61,7 |
… |
… |
4,6 |
6,6 |
0,3 |
1,1 |
| Índia |
1.650 |
3,9 |
4,5 |
16,4 |
31,1 |
3,0 |
30,9 |
0,9 |
0,6 |
0,0 |
0,2 |
|
China |
3.570 |
6,6 |
7,1 |
35,5 |
58,4 |
2,1 |
23,9 |
1,4 |
1,5 |
0,2 |
1,0 |
|
Hong-Kong |
24.540 |
111,8 |
247,6 |
513,0 |
1.227,0 |
8,9 |
… |
… |
… |
… |
… |
|
Japão |
23.400 |
21,5 |
26,1 |
41,2 |
39,9 |
2,8 |
6,0 |
12,7 |
15,8 |
0,9 |
0,9 |
|
Coréia |
13.500 |
33,6 |
46,7 |
115,0 |
118,0 |
4,5 |
11,3 |
3,5 |
11,1 |
0,8 |
1,1 |
|
Malásia |
10.920 |
33,6 |
70,2 |
163,5 |
269,0 |
7,8 |
9,1 |
2,8 |
4,6 |
0,7 |
2,0 |
| Ásia
Pacífico |
3.560 |
9,1 |
13,0 |
48,1 |
127,3 |
… |
… |
1,7 |
1,9 |
0,2 |
1,0 |
|
Alemanha |
21.300 |
… |
55,1 |
… |
… |
… |
6,8 |
… |
16,9 |
… |
2,0 |
|
Canadá |
21.860 |
45,6 |
58,5 |
112,4 |
… |
5,1 |
8,5 |
12,6 |
15,1 |
1,9 |
2,3 |
|
Espanha |
15.720 |
18,4 |
36,6 |
64,8 |
… |
5,6 |
6,8 |
4,6 |
10,3 |
1,1 |
1,9 |
|
Estados Unidos |
28.740 |
14,0 |
19,4 |
46,1 |
… |
4,5 |
6,0 |
8,0 |
12,5 |
1,4 |
2,6 |
|
França |
21.860 |
33,7 |
45,4 |
91,2 |
111,6 |
2,5 |
6,8 |
7,3 |
17,2 |
1,1 |
3,7 |
|
Holanda |
21.340 |
86,7 |
106,4 |
139,9 |
541,5 |
1,9 |
6,8 |
20,0 |
35,5 |
4,0 |
9,0 |
| Países
alta renda |
22.770 |
26,5 |
38,9 |
70,4 |
178,8 |
… |
… |
11,4 |
19,3 |
1,6 |
2,7 |
|
MUNDO |
6.330 |
20,7 |
29,1 |
63,6 |
93,8 |
… |
… |
8,4 |
14,5 |
1,1 |
2,2 |
|
Fonte: World
Bank, World Development Indicators, 1998 CD-ROM; * = Paridade
de Poder de Compra (Purchasing Power Parity), segundo estimativa do BIRD.
Tabela
2 Abertura comercial e renda per capita de países selecionados, 1997
Menor
coeficiente de abertura |
Maior
coeficiente de abertura |
| Países |
Com.Ext/PIB |
PNBper
capita |
Países |
Com.Ext/PIB |
PNBper
capita |
|
Burundi |
4,2 |
590 |
Holanda |
106,4 |
21.340 |
| Índia |
4,5 |
1.650 |
Suíça |
89,9 |
26.320 |
|
Uganda |
6,3 |
1.050 |
Suécia |
87,2 |
19.030 |
|
Etiópia |
6,8 |
510 |
Noruega |
80,3 |
23.940 |
|
China |
7,1 |
3.570 |
Dinamarca |
73,7 |
22.740 |
|
Bangladesh |
8,3 |
1.050 |
Áustria |
71,6 |
21.980 |
|
Colômbia |
9,5 |
6.720 |
Finlândia |
70,1 |
18.980 |
|
Irã |
9,6 |
5.530 |
Canadá |
58,5 |
21.860 |
|
Paquistão |
10,0 |
1.590 |
Alemanha |
55,1 |
21.300 |
|
Brasil |
10,2 |
6.240 |
França |
45,4 |
21.860 |
|
Fonte: World
Bank, World Development Indicators, 1998 CD-ROM (PNB em PPP)
Quadro
3 Brasil: política comercial e sistemas regional e multilateral, 1944-2005
(em itálico, referência a acordos comerciais regionais ou multilaterais)
| Data |
Medida |
Características |
|
| 1944
(jul-ago) |
Bretton
Woods |
Brasil
participa da conferência monetária e financeira que cria o
Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial |
1946 (27.02) |
Decretos de Dutra |
Operações de câmbio se realizam pelo mercado livre (a Cr$18/US$
1, como declarado ao FMI) e o mercado oficial fica restrito
às compras governamentais e a 20% das importações |
| 1946
(out.) |
Londres |
Reunião
da Comissão preparatória à conferência do comércio e emprego
das Nações Unidas; proposta de organização |
| 1947
(abr-nov) |
Genebra |
Segunda
sessão da Comissão preparatória: primeira rodada de negociações
de reduções tarifárias e definição dos princípios básicos
do sistema multilateral de comércio contemporâneo |
| 1947
1948 |
Havana |
Conferência
de comércio e emprego das Nações Unidas; Carta de Havana criando
a Organização Internacional de Comércio |
1947 |
Resolução da SUMOC |
Regime de taxa única do câmbio, à razão de Cr$ 18,50 por dólar
(paridade declarada ao Fundo Monetário Internacional); introdução
do regime de licenças à importação |
| 1948
(1º.01) |
Genebra |
Entrada
provisória em vigor do GATT, que deveria ser incorporado como
capítulo IV da Carta de Havana |
1948 (23.02) |
Lei 262 |
Restrições administrativas diretas, a cargo da Carteira de
Exportação e Importação (CEXIM) do Banco do Brasil |
| 1948
(30.07) |
Lei
313 |
Adesão
do Brasil ao Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio
(GATT), com aprovação de lista tarifária em níveis mínimos
(mais de 70% das importações brasileiras) |
| 1948
1949 |
Annecy
(França) |
Segunda
rodada de negociações comerciais multilaterais, em vigor a
partir de 1950 |
| 1950
1951 |
Torquay
(GB) |
Terceira
rodada de negociações comerciais multilaterais; torna-se evidente
que a OIC não entraria em vigor; Brasil negocia lista de concessões |
1951 |
Decreto de Vargas |
A base ad valorem é reintroduzida: distorções cambiais, aumento
das importações e diminuição da entrada de capitais estrangeiros |
1953 (jan-out) |
Lei 1.807 |
Reforma do sistema cambial: restabelecimento do mercado livre
para certas operações, mas importações efetuadas pela taxa
oficial de Cr$ 18,50 por dólar; em outubro foi introduzido
o sistema de taxas múltiplas de câmbio para importações e
exportações; coexistência de diferentes taxas de cambio: oficial,
taxas mínimas, taxas para áreas de conversibilidade de moeda,
taxas dos leilões específicos, taxa do mercado livre |
1953 (29.12) |
Lei 2.145 (prorrogada até 1957) Instrução 70 da SUMOC |
Novo regime de comércio exterior (5 categorias de produtos),
mas manutenção da dualidade do mercado cambial e da taxa declarada
ao FMI; o ágio cambial passa a substituir os antigos direitos
protecionistas; criação da Carteira de Comércio Exterior (CACEX)
do Banco do Brasil |
| 1955
1956 |
Genebra |
Quarta
rodada de negociações comerciais multilaterais; protocolo
de emenda ao Preâmbulo e às Partes II e III do GATT, necessário
em virtude da não-implementação da OIC |
1957 (14.08) |
Lei 3.244 |
Reforma Aduaneira: completa reformulação dos instrumentos
da política de comércio exterior; instituição de nova Tarifa,
flexível, inteiramente em base ad valorem (utilizando
a Nomenclatura Aduaneira de Bruxelas), com mais de 6 mil itens;
alíquotas variáveis entre 0 e 150%, ajustáveis por meio de
resoluções; criação do Conselho de Política Aduaneira; adaptação
das normas cambiais em vigor, mas permanência até 1960 do
regime de leilão de divisas; Lei do Similar Nacional |
| 1958
1959 |
Rio
de Janeiro Washington |
Brasil
articula o lançamento da “Operação Pan-Americana” de cooperação
hemisférica, de forte conteúdo econômico; início do processo
negociador da integração regional na América do Sul. |
| 1960
(18.02) |
Tratado
de Montevidéu |
Criação
da Associação Latino-Americana de Livre-Comércio; objetivo
último era a constituição de um mercado comum regional, a
partir da conformação de uma Zona de Livre Comércio, num prazo
de 12 anos, de conformidade com as regras do GATT (Artigo
XXIV) |
1961 (13.03) |
Instrução 204, da SUMOC |
Política do realismo cambial: taxas foram unificadas, com
tratamento diferencial apenas para café e para as importações
consideradas supérfluas (categoria especial); Instrução 208
eliminou necessidade de depósito prévio para produtos da ALALC |
| 1961
1962 |
Genebra |
Quinta
rodada (Dillon) de negociações comerciais multilaterais já
integrando a Comunidade Econômica Européia |
| 1961
1964 |
Montevidéu |
Negociações
multilaterais, na ALALC, de “listas comuns” e “listas nacionais”,
produto a produto, de rebaixas tarifárias e eliminação de
restrições não-tarifárias, para a ampliação dos mercados,
a liberalização do intercâmbio e o desmantelamento das medidas
protecionistas vigentes no intercâmbio regional |
1964 1966 |
Leis, Decretos, Resoluções |
Mudança global da política monetária e cambial: unificação
de taxas (desvalorização de 204%), abolição de depósitos prévios,
criação do Banco Central (no lugar da SUMOC) e do Conselho
Monetário Nacional |
1966 |
Brasília |
Criação do Conselho Nacional de Comércio Exterior, CONCEX |
| 1964
1965 |
Genebra |
Protocolo
de emenda ao GATT, inserindo uma Parte IV (sobre Comércio
e Desenvolvimento) ao Acordo Geral, sob pressão da UNCTAD;
Brasil ratificou em 1966 |
| 1964
1967 |
Genebra |
Sexta
rodada (Kennedy) de negociações comerciais do GATT, que começa
com 46 países membros e termina com 74; avanços no sentido
de reconhecer a especificidade dos países em desenvolvimento
(Sistema Geral de Preferências), com tratamento concessional
e não recíproco |
| 1964
1969 |
Montevidéu |
Paralisação
do processo negociador multilateral para a definição de “listas
comuns” na ALALC; políticas fortemente protecionistas (tarifas
altas e restrições não-tarifárias) e desentendimentos políticos
entre os paíse -membros |
| 1967 |
Punta
del Este |
Conferência
de chefes de Estado e de Governos americanos em Punta del
Este proclama o objetivo de se constituir um “mercado comum
latino-americano” num prazo máximo de 15 anos, a partir de
1970 |
1967 1969 |
Brasília |
Criação de diferentes mecanismos de incentivo às exportações
brasileiras (créditos fiscais e subsídios, isenções tributárias,
ao lado de restrições às importações), em especial do FINEX,
Fundo de Financiamento das Exportações; política cambial de
desvalorizações progressivas, acompanhando a inflação |
| 1970 |
Montevidéu |
Revisão
necessária do programa de liberalização no âmbito da ALALC,
com prorrogação até 1980 do período previsto para a implementação
de uma zona de livre comércio |
| 1971 |
Genebra |
Protocolo
relativo às negociações comerciais entre países em desenvolvimento;
Brasil ratificou em 1973 |
| 1973 |
Tóquio |
Declaração
ministerial lançando, com ênfase nos interesses dos países
em desenvolvimento, a sétima rodada de negociações comerciais
multilaterais do GATT; participação de 99 países, representando
90% do comércio internacional |
| 1973 |
Genebra |
Acordo
sobre comércio internacional de têxteis (Multifibras) |
| 1979 |
Genebra |
Rodada
Tóquio de negociações comerciais do GATT aprova o princípio
do tratamento preferencial e mais favorável para os países
em desenvolvimento: cláusula de habilitação permite a outorga
e o intercâmbio recíproco de preferências comerciais parciais,
com a derrogação admitida da cláusula de nação-mais-favorecida;
acordos plurilaterais sobre carne, compras governamentais,
aeronaves civis; acordos sobre valoração aduaneira, barreiras
técnicas, subsídios |
| 1980 |
Montevidéu |
Tratado
de Montevidéu-80 institui a Associação Latino-americana de
Integração (ALADI), no quadro de amplo processo de reestruturação
dos objetivos, compromissos e modalidades da integração econômica
na região: eliminou-se a obrigação de elaboração de listas
comuns, abandonou-se a fixação de prazos para o cumprimento
das metas integracionistas (zona de livre comércio ou mercado
comum) e passou-se a mecanismos mais flexíveis, de caráter
bilateral, para a conformação de uma “área de preferências
tarifárias” |
| 1986 |
Buenos
Aires |
“Ata
para a Integração Brasil-Argentina”, estabelecendo, segundo
modalidades baseadas na complementação industrial, o Programa
de Integração e Cooperação Econômica, de caráter “gradual,
flexível e equilibrado” e prevendo tratamentos preferenciais
frente a terceiros mercados; diversos protocolos setoriais
são assinados bilateralmente |
| 1986 |
Punta
del Este (Uruguai) |
Lançamento
da Oitava Rodada de negociações comerciais multilaterais,
compreendendo o GATT e novos temas (serviços, investimentos,
propriedade intelectual); 94 países; previstas para durar
4 anos, elas se estenderão até 1993. Na Europa, o Ato Único
das Comunidades Européias prevê a constituição de um mercado
unificado dentro de 6 anos, o que efetivamente ocorreu em
1º de janeiro de 1993 |
| 1986
(19.05) |
Brasília |
Reunião
ministerial do Sistema Global de Preferências Comerciais entre
países em desenvolvimento (SGPC) |
| 1988
(19.05) |
Belgrado |
Acordo
sobre o Sistema Global de Preferências Comerciais entre países
em desenvolvimento (SGPC); Brasil o ratificou em 1991 |
| 1988
(julho) |
Buenos
Aires |
“Tratado
de Integração, Cooperação e Desenvolvimento” entre o Brasil
e a Argentina, com o objetivo de consolidar o processo de
integração bilateral e instituir, numa primeira etapa, um
espaço econômico comum no prazo máximo de dez anos e a harmonização
das políticas aduaneiras, comercial, agrícola, industrial
e de transportes e comunicações, assim como a coordenação
de políticas monetária, fiscal e cambial; numa segunda etapa,
se procederia à harmonização gradual das demais políticas
necessárias à formação do mercado comum |
1988 |
Decreto-lei 2434 |
Reforma tarifária, desburocratização dos trâmites de importação
e começo de liberalização comercial |
| 1990
(06.07) |
Buenos
Aires |
“Ata
de Buenos Aires”: Argentina e Brasil decidem conformar o mercado
comum bilateral até 31.12.94, estabelecem uma metodologia
apropriada para tal fim (rebaixas tarifárias generalizadas,
lineares e automáticas, eliminação de barreiras não-tarifárias)
e criam o Grupo Mercado Comum, de caráter binacional; consultas
regionais em Brasília |
1991 1994 |
Reforma tarifária |
Programa de redução das alíquotas de importação, de 40% a
14% na média |
| 1991
(21.03) |
Assunção |
Tratado
de Assunção (26 março) para a constituição de um mercado comum
entre a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai: definiu
um programa de liberalização comercial de todo o universo
alfandegário num período de transição até 31 de dezembro de
1994 e adotou os mecanismos de caráter intergovernamental
já fixados no programa bilateral Brasil-Argentina (Conselho,
órgão supremo, de natureza intergovernamental; Grupo Mercado
Comum, órgão executivo, coordenando as atividades de onze
subgrupos de trabalho; Comissão Parlamentar Conjunta, com
representantes designados por cada Parlamento nacional) |
| 1992
(7.06) |
Las
Leñas (Argentina) |
Conselho
do Mercado Comum adota extenso programa de medidas (“Cronograma
de Las Leñas”) para o cumprimento dos compromissos fixados
no Tratado de Assunção, isto é, a conformação do “mercado
comum do Sul” até 31.12.94; o GMC fica encarregado de adotar
um cronograma de medidas adicionais para o pleno funcionamento
do Mercosul em 1º de janeiro de 1995 (alguns prazos serão
prorrogados no decurso dos trabalhos). A decisão 3/92 aprova
o procedimento de reclamações e consulta sobre práticas desleais
de comércio (dumping e subsídios), |
| 1993 |
Genebra |
Término
das negociações da Rodada Uruguai, depois de 3 anos adicionais
em busca de compromissos aceitáveis |
| 1993
1994 |
Mercosul |
Negociação
da Tarifa Externa Comum (TEC): diferenças de estrutura e de
níveis de desenvolvimento industrial entre o Brasil e os demais
parceiros resultam na aceitação, durante uma “fase de convergência”
(até 2001-2006), de listas nacionais de exclusão (para bens
informáticos e de capital, por exemplo). Os países membros
também decidem harmonizar os incentivos às exportações, respeitando
disposições do GATT |
| 1994
(12.04) |
Marrakesh |
Ata
Final da Rodada Uruguai criando a Organização Mundial de Comércio
e assinatura de diversos acordos multilaterais (entre eles
o GATT-94 e o GATS) e plurilaterais |
| 1994
(17.12) |
Ouro
Preto (MG) |
“Protocolo
de Ouro Preto” que modifica parcialmente o Tratado de Assunção
e dá personalidade jurídica internacional ao Mercosul; VII
reunião do Conselho também aprovou, ademais de listas nacionais
de produtos em regime de adequação final à união aduaneira
(com prazos adicionais para sua integração à TEC), diversos
atos internacionais: acordo sobre transporte multimodal, código
aduaneiro, protocolo de medidas cautelares, protocolo sobre
promoção e proteção recíprocas de investimentos e acordo bilateral
Brasil-Argentina sobre internação de bens de zonas francas |
| 1994
(20.12) |
Miami |
Cúpula
das Américas, na qual 34 países do hemisfério decidem negociar
uma zona de livre-comércio até 2005 (ALCA) |
1995 (1º.01) |
Brasil |
Implementação da Tarifa Externa Comum do Mercosul, que substitui
a pauta aduaneira brasileira (exceções nacionais) |
| 1996 |
Mercosul |
Acordos
de associação do Chile e da Bolívia, previamente à negociação
de acordos semelhantes com países do Grupo Andino |
| 1996 |
Cingapura |
Primeira
conferência ministerial da OMC: acordo plurilateral sobre
liberalização de bens vinculados à tecnologia da informação |
| 1997 |
Mercosul |
Acordo
Brasil-Argentina, em novembro, decide elevar a Tarifa Externa
Comum em três pontos percentuais, medida a ser implementada
pelos quatro países membros até 31 de dezembro de 2000 |
| 1998
abril |
Costa
Rica ALCA |
Reunião
dos ministros de comércio do hemisfério sobre o processo negociador
da ALCA: definidos grupos e mandatos |
| 1998
maio |
Santiago |
Cúpula
das Américas: principais temas: a educação, o livre comércio,
a democracia e os direitos humanos e a erradicação da pobreza |
| 1999 |
Rio
de Janeiro |
Reunião
de cúpula dos Chefes de Estado e de Governo da União Européia
e da América Latina, com vistas a estreitar os laços de cooperação
e de integração econômica entre as duas regiões |
| 1999
(nov-dez) |
OMC |
Insucesso
da reunião ministerial de Seattle no lançamento de uma nova
rodada de negociações comerciais multilaterais, a “Rodada
do Milênio” |
| 2000 |
Mercosul |
Dificuldades
para o estabelecimento da política automotiva comum do Mercosul,
no quadro da implementação da Agenda 2000, atendendo também
às obrigações dos países membros no âmbito do sistema multilateral
de comércio; crise no Mercosul |
| 2001-5 |
Mercosul |
Processo
de convergência das últimas exceções à TEC do Mercosul; |
| 2001 |
ALCA |
Reunião
de cúpula em Québec reafirma prazos do processo negociador;
Brasil confirma seu interesse no processo com real abertura
de mercados em setores protegidos. |
| 2001 |
OMC |
Lançamento,
em Doha, de nova rodada de negociações na OMC |
| 2002 |
ALCA |
Reunião
ministerial de Quito: Brasil e Estados Unidos presidem à fase
final das negociações. |
| 2003
2005 |
ALCA |
Término
hipotético das negociações hemisféricas para a conformação,
a partir de 2006, da ALCA. Prazo similar para as negociações
para um acordo de associação entre o Mercosul e a União Européia,
cujo início se deu em 2000. |
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Fonte:Elaboração
do autor
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