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A Força da Imaginação
ou o Blefe do Jogador ? Entretenimento e espiritualidade na era
da globalização
Martin Cezar Feijó
"De todos os venenos
capazes de viciar o testemunho,
o mais virulento é a impostura".
(Marc Bloch - Apologia da história).
"He was fake, but not entirely a fake".
(W. Somerset Maugham-
Sobre Aleister Crowley).
QUEM TEM MEDO DE PAULO
COELHO? A Academia (leia-se Universidade) parece ter, pelo menos
pela quantidade de trabalhos publicados como frutos de dissertações
e teses sobre o escritor brasileiro que mais vendeu no exterior,
ultrapassando Jorge Amado. Um silêncio significativo acompanhado
por um desprezo a boca pequena: afinal um autor que tenha vendido
mais de trinta e sete milhões de livros em cinqüenta
e duas línguas e cento e vinte países parece não
merecer consideração dos acadêmicos brasileiros.
Do mundo anglo-saxônico ao islâmico, do europeu ao latino-americano,
sendo exaltado por personalidades como presidentes da República
dos EUA e França, políticos como Shimon Peres de Israel,
escritores como Umberto Eco, atrizes de Hollywood como Julia Roberts
e cantoras pop como Madonna, Paulo Coelho conta com leitores tão
diversos que tem sido convidado para participar de reuniões
do Fórum Econômico Mundial, em Davos e Nova York, assim
como foi sintomaticamente esquecido pelo Ministério da Cultura
do Brasil quando do encontro de escritores brasileiros com escritores
franceses, tendo que o governo francês formular oficialmente
o convite para condecorar o escritor brasileiro mais lido na França.
Mas da parte de Paulo Coelho a recíproca
é verdadeira: ele considera uma posição política
"contribuir com a mudança do que eu chamo de Academia,
ou seja, o saber convencional, fossilizado, burocrático,
que se acha possuidor da única sabedoria. O poder dos privilegiados.
É preciso voltar a deixar livre a criatividade, dar voz ao
homem comum, considerar que não devem existir privilegiados
do saber que se outorgam títulos e méritos para impor
sua cultura aos outros".(1) Medo, ressentimento ou preconceito,
uma coisa é certa: a Academia no bom sentido, e não
no sentido pejorativo, não pode se furtar ao debate democrático
nem temer um tema da maior relevância. Tem razão nesse
sentido o escritor Juan Arias ao afirmar que "Paulo Coelho
é mais que um simples escritor. É também um
fenômeno social e cultural que merece ser objeto de estudo".(2)
Mesmo sendo difícil aceitar que ser escritor seja uma coisa
simples, o que o jornalista
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Paulo Coelho
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