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Curiosamente nossa
vanguarda incluiu no
seu programa, a
pintura, a literatura,
a escultura, a
música e a
arquitetura, mas
esqueceu da
fotografia e do
cinema... "
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F
o t o g r a f i a e M o d e r n i d a d e: referências e
experiências isoladas
Rubens Fernandes Junior
A história da fotografia no Brasil da primeira metade do
século XX, apesar de já ter relacionado os profissionais
atuantes mais expressivos e os marcos históricos - técnicos
e estéticos -, que revolucionaram a linguagem fotográfica,
podemos verificar que ainda existem lacunas para preencher e novas
pesquisas poderão propiciar descobertas que trarão
à luz uma leitura renovada da questão através
das diferentes formas de produção e manipulação
da imagem fotográfica. Este ensaio tem como objetivo a
análise de alguns momentos já conhecidos, considerados
as rupturas mais significativas que detonaram um olhar moderno
sobre a produção técnica imagética
do período.
A fotografia produzida nas primeiras décadas do século
XX pode ser destacada através de alguns de seus principais
nomes, cujas obras se inscrevem em qualquer ontologia do período.
A reunião de alguns dos principais momentos contempla tanto
a fotografia documental, arrojada e refinada, do profissional
atuante no Brasil, quanto a produção que questiona
a materialidade dos suportes e as diversas possibilidades de manipulação
e construção da imagem fotográfica. Nesse
período, evitou-se reforçar a visão de país
exótico e generoso, grandioso e fácil, tão
difundido no exterior através das imagens produzidas no
século XIX, para mostrar uma nova identidade visual, assumida
através do traço paradoxal do harmonioso e do dissonante.
Ao mesmo tempo, podemos constatar que essa produção
fotográfica sempre esteve em fina sintonia com o melhor
da fotografia produzida nas grandes metrópoles, tanto as
mais tradicionais, como as de vanguarda.
Alguns dos momentos que aqui destacaremos representam os diferentes
aspectos da modernidade que chegaram à fotografia brasileira,
mesmo que tardiamente. Em 1922, por ocasião da Semana de
Arte Moderna, realizada em fevereiro, no Teatro Municipal de São
Paulo, diferentemente de todas as manifestações
de vanguarda, ocorridas principalmente na Europa, a fotografia
e o cinema não foram contemplados como linguagem e manifestação.
Curiosamente nossa vanguarda incluiu no seu programa, a pintura,
a literatura, a escultura, a música e a arquitetura, mas
esqueceu da fotografia e do cinema, embora estas representassem
as mais contemporâneas e revolucionárias possibilidades
de expressão e linguagem naquele momento, sendo incluídas
em todas as manifestações de rupturas das vanguardas
européias, principalmente o Futurismo italiano e o Dadaísmo,
movimentos mais próximos dos artistas brasileiros. Portanto,
é notória a ausência de uma produção
gerada pelas imagens técnicas, que trouxeram novas conceituações
e novos questionamentos sobre como e porquê olhar o mundo
visível.
Se uma das principais características da modernidade não
é só incorporar as técnicas
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