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Foto de Anita Malfatti
jovem C.1912.
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Em
inícios do século XX, na Europa - área da qual
nossa cultura era em parte subsidiária, mormente naquele
departamento que qualificamos como o das altas manifestações
da cultura, o dos procedimentos eruditos - as coisas explodiam,
as Artes davam prosseguimento à revolução de
linguagens que havia tido início em finais do século
XIX (bastaria citar os desdobramentos do Impressionismo e a obra
Un coup de dés, de Mallarmé...). No Brasil, que, com
suas diferenças regionais se encaminhava em direção
a um certo progresso (localizado em áreas específicas)
assistiam-se, ainda, às últimas manifestações
de uma Arte e Literatura originadas no século XIX: época,
realmente, crepuscular, mas que começaria a ser minada por
processos que apontariam novos caminhos no campo da criação
artística em geral. Para a eclosão do chamado Modernismo
no Brasil, foi pioneiro e fundamental o papel das Artes Plásticas;
melhor dizendo, da Pintura. É que esta teve como que a incumbência
de despertar interesse e consciência de que mudanças
não só se faziam necessárias, como eram inevitáveis.
O ano
de 1917, no Mundo e no Brasil - plena Primeira Guerra Mundial -
foi marcado por fatos/processos importantíssimos: ano em
que os EUA entraram na Guerra ao lado da Entente, ano da Revolução
Bolchevique, que acabou por tirar a Rússia da Guerra e se
empenhou em implantar o Socialismo no país; transcorria DADA,
na Europa... (1) No Brasil, país praticamente fora da guerra,
mas sofrendo alguns de seus efeitos, observavam-se transformações:
do incremento à implantação de estabelecimentos
industriais, às reivindicações que tomaram
a feição de greves.(2) O ano de 1917, no campo de
nossa cultura, assinalou eventos importantes, como a publicação
de A Cinza das Horas, de Manuel Bandeira e, o que teve maiores repercussões,
a exposição da pintora Anita Malfatti a qual, provocando
reações adversas, como a de Monteiro Lobato (3), fez
pensar, arregimentou pessoas, instigou, deu início propriamente
ao nosso Movimento Modernista. Meu propósito é fazer
uma abordagem da história da mulher que morreu duas vezes,
ou seja, de Anita Malfatti. (4) Era o início do início
quando, em
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